A MORTE DE DÉCIO SÁ

Nesse Brasil em que todos desmandam e a Lei é cegueta (não exatamente cega, se é que me entendem...) pouca gente ficou sabendo da morte do jornalista Décio Sá, do Maranhão, último dia 23.04.2012.

Você, leitor, ficou sabendo disso? Observe que o homem não foi morto por uma enfermidade, ou um ataque cardíaco. Foi morto a tiros.

Não seria novidade, no estado do Maranhão, governado pela eminência parda do Sr. José Sarney (que não se importa, claro, com a morte de um reles jornalista). Acontece que o moço "de cujus" era voz ativa, denunciando pilantragens "politiqueiras" e "fazendeiras", se me permitem a incorreção morfológica. Era outro brasileiro que não se conformava com as maldades de poderosos, no interior do Maranhão - uma terra que nossos políticos de Brasília sistematicamente esquecem.

Aliás, quem se importa com mortos políticos? Essa turma aí aprendeu muito bem com os egressos da revolução que opositores políticos que fazem diferença PRECISAM SER DESCARTADOS. E por essas e outras, aquele assassinato será relegado ao olvido, assim como muitos outros.

Sabem como eu tomei conhecimento disso? Lendo um jornal do exterior. O que importa isso? Os nossos pares de outras nações estão olhando isso. Olhando e JULGANDO. E para eles, nós somos ainda um povo de alguma forma bárbaro, onde impera a lei do mais forte, nação onde ainda existem feudos, e onde a justiça está nas mãos de quem pode mais.

Então, eu ouço pessoas se impressionarem com o que veem em visitas ao exterior (claro, ninguém quer visitar o Haiti, ou a Libéria) - com a limpeza dos lugares públicos, a educação das autoridades, a aparente prosperidade reinante além-mar... e o contraponto é execrarem nossa própria nação.

Nada mais normal. Se nossos homens importantes não dão a mínima para o Brasil, quem se importa? Se homens de valor são sacrificados porque alguém os deseja "fora do caminho", o que a Justiça tem a ver com isso?

E a lista é longa! Chico Mendes, Dorothy Stang, Celso Daniel (disseram que foi um engano - quem acredita?), para se mencionar os mais lembrados...

Até quando? Até quando teremos senhores feudais, e uma justiça agrilhoada? Brasil, ah, Brasil... se soubessem que tem gente que te ama...

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