quarta-feira, 18 de julho de 2012

MÚSICA E VIDA DE BRASILEIRO

Transcrevo aqui, com muito prazer, crônica do meu amigo, Dr. Antonio Valeriano, funcionário público aqui em Londrina - Pr.


Crianças, lidamos com a verdade de verdade, choramos, rimos e desprezamos a maldade;

Pensamos em crescer, pois não sabemos quão mais colorido, tranquilo e melhor é o mundo das crianças;
A adolescência é maravilhosa, somos super-homens, sonhamos, nos apaixonamos, sabemos tudo e nada pode nos impedir;
Escola, cinema, esportes, brincadeiras, somos o centro do mundo – tudo gira em torno de nós – que fantástico;
A juventude chega e junto vem a percepção de que não somos tão super; alguns sonhos vão embora, outros morrem e nascem aqueles mais realistas, palpáveis;
Jovens, discernimos, cristalinamente, o certo do errado e acreditamos num mundo melhor; compreendemos que nem todos tiveram a felicidade de nascer onde nascemos, começamos a enxergar os pobres, os miseráveis, os excluídos e tantos outros;
Na adolescência e na juventude muitos se vão das formas mais estúpidas, afinal a estupidez não conhece limites (drogas, acidentes, assassinatos, etc).
Adultos, constituímos família e buscamos, estupidamente (de novo), riqueza e poder, até que compreendamos (e isso nem sempre acontece) que, por este caminho, não chegaremos a lugar algum – a pobreza, provavelmente, nos fará reclamar e a riqueza, fatalmente, nos entediará;
Com poder e riqueza nossa propensão será: mais oprimir do que amar, dar as costas a estender a mão, acumular mais e mais e não repartir, buscar outras faces e esconder as nossas;
Então, já não sabemos onde nos reconhecer: Se na foto passada ou no espelho de agora;
Perguntamos se hoje é do jeito que achamos que seria? Listamos nossos sonhos e nos assustamos com tantos que desistimos de sonhar;
Pensamos em todas as cachaças que engolimos, na fumaça que tossimos e andaimes de onde muitos partiram;
E, por maior que seja nosso esforço, esta agonia, não conseguimos entender, pois é difícil acreditar num país que não tem governo, que não tem vergonha, que não tem juízo, que não tem decência e, certamente, nesse caminho, nunca terá;
Nesta terra, onde quem tem um olho é rei, é fácil imaginar que tem os dois; é a mesma história, tantas vezes lida, tudo no mundo é frágil, tudo passa... Será?
Hoje, ante a tudo isso, caminho devagar, porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe; eu só levo a certeza de que muito pouco sei, ou nada sei;
Espero que a morte daquilo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca e que uma simples alegria baste pra aquietar meu espírito.
Baseado em músicas brasileiras.

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