MÚSICA E VIDA DE BRASILEIRO

Transcrevo aqui, com muito prazer, crônica do meu amigo, Dr. Antonio Valeriano, funcionário público aqui em Londrina - Pr.


Crianças, lidamos com a verdade de verdade, choramos, rimos e desprezamos a maldade;

Pensamos em crescer, pois não sabemos quão mais colorido, tranquilo e melhor é o mundo das crianças;
A adolescência é maravilhosa, somos super-homens, sonhamos, nos apaixonamos, sabemos tudo e nada pode nos impedir;
Escola, cinema, esportes, brincadeiras, somos o centro do mundo – tudo gira em torno de nós – que fantástico;
A juventude chega e junto vem a percepção de que não somos tão super; alguns sonhos vão embora, outros morrem e nascem aqueles mais realistas, palpáveis;
Jovens, discernimos, cristalinamente, o certo do errado e acreditamos num mundo melhor; compreendemos que nem todos tiveram a felicidade de nascer onde nascemos, começamos a enxergar os pobres, os miseráveis, os excluídos e tantos outros;
Na adolescência e na juventude muitos se vão das formas mais estúpidas, afinal a estupidez não conhece limites (drogas, acidentes, assassinatos, etc).
Adultos, constituímos família e buscamos, estupidamente (de novo), riqueza e poder, até que compreendamos (e isso nem sempre acontece) que, por este caminho, não chegaremos a lugar algum – a pobreza, provavelmente, nos fará reclamar e a riqueza, fatalmente, nos entediará;
Com poder e riqueza nossa propensão será: mais oprimir do que amar, dar as costas a estender a mão, acumular mais e mais e não repartir, buscar outras faces e esconder as nossas;
Então, já não sabemos onde nos reconhecer: Se na foto passada ou no espelho de agora;
Perguntamos se hoje é do jeito que achamos que seria? Listamos nossos sonhos e nos assustamos com tantos que desistimos de sonhar;
Pensamos em todas as cachaças que engolimos, na fumaça que tossimos e andaimes de onde muitos partiram;
E, por maior que seja nosso esforço, esta agonia, não conseguimos entender, pois é difícil acreditar num país que não tem governo, que não tem vergonha, que não tem juízo, que não tem decência e, certamente, nesse caminho, nunca terá;
Nesta terra, onde quem tem um olho é rei, é fácil imaginar que tem os dois; é a mesma história, tantas vezes lida, tudo no mundo é frágil, tudo passa... Será?
Hoje, ante a tudo isso, caminho devagar, porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe; eu só levo a certeza de que muito pouco sei, ou nada sei;
Espero que a morte daquilo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca e que uma simples alegria baste pra aquietar meu espírito.
Baseado em músicas brasileiras.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ERROU DE NOVO, SR. MICHEL SAAD NETO!

ESCOLAS DE DELINQUENTES

DE MARCHINHAS DE CARNAVAL...