RAFINHA... ONDE O MITO ENCONTRA SEU ALTER-EGO

Como dizia Carlos Imperial, "sem liberdade de pixação, nenhum elogio é válido".

O comediante Rafinha Bastos, que fora defenestrado de sua atividade no CQC, em razão de comentário sobremodo infeliz, tem mostrado crítica acerba em referência ao que pensam dele, e também aos ex-colegas.

Como aparentemente ele não se importa com a crítica, certamente não se aborrecerá com minha abordagem a respeito. Mas preciso fazer isso, para meu próprio crivo.

Não há o que se dizer sobre a mente brilhante do comediante. Sua capacidade de improviso, de abordar temas com ecletismo e naturalidade sem dúvida é algo a ressaltar, possivelmente fruto de educação esmerada e buscada pelo Rafinha. Igualmente brilhante é sua apresentação, de bem com a vida, seguro nas intervenções, e por aí vai.

A assunção de alguém aos holofotes da mídia traz consigo alguns consectários. Não somente a capacidade profissional se coloca em xeque, como também a que se propõe o artista. Não por acaso sabemos de casos  em que a/o artista se lança, e o que produz aparece chocho e sem graça, e de uma hora pra outra é eclipsado. O que eu quero dizer com isso é que o que se oferece precisa ter conteúdo, para ter a fidelidade dos expectadores (até entre crianças é assim!).

O humor do programa CQC é fino, até quando é descaradamente crítico. E nossa gente gostou daquele formato, em que tres marmanjos dão pitacos aqui e acolá. O menú de temas e piadas atende a expressiva parcela de nossa gente brasileira, cansada de enlatados, e piadas sem brilho de "senhoritas" de traseiro grande e inteligência estreita.

Mas... salvo melhor juízo, o Rafinha serviu, numa das rodadas da bandeja, um prato sobremaneira forte. Seu descuido ao mencionar aquela moça e seu rebento intra-uterino foi de um mau gosto absoluto, mas não  parou por aí o engano.

Não serviu nada para o entretenimento popular, entendem? Ao invés de acrescentar, foi como se se colocasse no meio do salão um personagem do filme "A Mosca". Algo indescritível, mas monstruoso. Algo sem graça, mas monstruoso. Algo sem inteligência, talvez somente instintivo, mas monstruoso. Sob todos os aspectos sociais vigentes, foi agressivo, ofensor... nada obstante ser a título gratuíto.

O impacto de retorno tangenciou o programa, arranhou ligeiramente os demais integrantes do programa (que com toda a certeza também foram apanhados de surpresa), e atropelou o Rafinha.

Algo grotesco, inaceitável do ponto de vista social, qualquer que seja o angulo de abordagem.

Alguém poderá objetar que nos tempos em que estamos vivendo, toda manifestação pode ser válida, todo tipo de humor é possível, a crítica não deve existir. Não é bem assim. Sem querer comparar ninguém, mas nenhum comediante de sucesso dentro do Brasil ou fora dele se arriscaria àquela tirada - veria o risco de desastre na carreira..

E agora, passado algum tempo, podemos notar uma certa amargura no discurso do jovem comediante, algumas farpas endereçadas aos antigos companheiros... (conselho? Um erro não justifica outros...).

Há momentos na vida em que nosso ego precisa fiscalizar atentamente seu alter-ego, para evitar desmandos impensados. Essa dualidade dentro de nós é algo até fascinante, mas perigosíssimo.

Reinventar a roda é algo desejável e até buscado, mas as coisas não são assim simples. Há regramentos simples. Se precisa saber com que finalidade existirá a reinvenção, qual o seu custo, qual a sua aparência.

Reinventar o humor segue mesma trilha:
- Qual a finalidade - entreter, agredir, criticar...;
- Que custo terá - para a imagem do veículo, ou do autor, se é recuperável, nos lucros com platéia;
- Que aparência terá - pública, privada (nesse caso, se é para maiores ou menores de idade...).

Simples assim... me parece que, no vigor de sua juventude, Rafinha decidiu em frações de segundo lançar novidade no mercado da comédia, mas a precipitação custou caro. E o saldo do prejuízo AINDA está sendo contabilizado. Podem anotar.

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