AO GUARDA CUPERTINO - UMA HOMENAGEM

Hoje eu sirvo-me desse excelente veículo de comunicação para prestar uma homenagem que, até então, me era relativamente difícil oferecer.

Preciso homenagear a Polícia Militar Rodoviária, em seu destacamento de Cianorte, Paraná, pelos fatos que a seguir exponho...

Lá pelos idos de 1981, recém-casado, minha esposa esperando nosso primeiro filho, aos sete meses de gravidez, este escriba emprestara um carro, para levar a jovem grávida a seu médico, em Maringá, distante de nossa cidade perto de 135 Km. Nos acompanhava um outro casal, esposa igualmente grávida...

Próximos de Maringá, um dos pneus do veículo murchou. Nada demais, trocamos pelo estepe, e ao entrar na cidade, deixamos o danificado para reparo, numa borracharia.

Exames realizados, algumas comprinhas (que ninguém é de ferro, especialmente grávidas...), ao final da tarde estávamos de retorno, alí pelas 17:30 horas.

Retiramos o pneu reparado na borracharia, e encaramos o asfalto... aproximadamente 10 Km distante de Maringá, um outro pneu avariou-se, e utilizamos o recém-reparado, para reposição... Claro, dada a inexperiência relativa do motorista (no caso, eu), demoramos mais do que se esperava para trocar o dito cujo pneu, e já estava bem escuro quando dalí saímos...

Eis que sem mais nem menos, uns 5~8 Km após a cidade de Jussara, NOVA AVARIA num dos pneus. Mas agora não tínhamos mais peça para reposição...

Todos cansados e preocupados, me dispus a pedir carona até à cidade de Cianorte, onde sabia existir uma borracharia que não fechava... imaginem, noite adentro, alguém pedindo carona, com um pneu nas mãos!

Bondoso motorista me acudiu, e mesmo sendo contra seus princípios, ao ver o desespero do pequeno grupo, me recebeu em sua boléia, e me deixaria ao lado da borracharia.

Realizado o reparo, como fazer para retornar? Já era algo em torno de 19:30, e naquele tempo a PR 323 não tinha tanto tráfego...

Fui rodando o pneu até ao posto da Polícia Rodoviária, esperando alí conseguir carona para retornar à minha esposa e nossos amigos, para normalizar as coisas...

O único policial que vi (me parece que se chama Cupertino, alguém me corrija, se estiver errado), me repreendeu: "isso aqui não é ponto de carona, senhor!".

Objetei que era algo extraordinário, que precisava socorrer minha esposinha grávida... O oficial esteve algum tempo em silêncio, depois perguntou: "onde está o carro?" Informei-o do paradeiro do veículo...

Mais algum tempo em silêncio... ele deu uma olhada para a sala de controle do posto, entrou na viatura "Caravan" alí ao lado e disse "entre aqui". E saiu quase voando, naquele dia pude ver como eram velozes aqueles carros!!!!

Em poucos minutos alcançamos nosso carro, eu agradeci o favor e saí com o pneu na mão... O policial veio atrás de mim - "vai cuidar da tua esposa, eu troco o pneu!!!". Imaginam? ISSO NÃO ACONTECE  TODOS OS DIAS!!!

Completado o trabalho o homem veio até mim e ordenou "agora vai na minha frente, pare lá na borracharia e conserte o pneu danificado, eu vou atrás, para ter certeza de que nada dará errado."

Ofereci-lhe uma recompensa, a nota mais alta que nosso padrão monetário tinha àquela época - "O Sr. está me dando propina, senhor? Quer me corromper?" Recusou receber, mesmo eu dizendo que era um presente, pelo bem que me fizera - afinal, ele não cometera nenhuma ilegalidade!

Retornamos a nossos lares... NUNCA MAIS VOU ESQUECER AQUELE EXEMPLO DE POLICIAL.

Sabem, prezados? São coisas como essa que me fazem ter ainda esperança de que nosso Brasil dê certo!

Obrigado, oficial Cupertino. Auxiliar, no meio da noite, um desconhecido, de forma desinteressada, cordial e com presteza... TEU EXEMPLO MERECE SER OBSERVADO E SEGUIDO.

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