CARANDIRÚ, VINTE ANOS DEPOIS

Deveria se iniciar ontem, dia oito de abril, o julgamento de vinte e seis indiciados na ação policial que rotularam de "Massacre do Carandirú". Devia, porque uma jurada se sentiu mal, no início dos trabalhos, e o presidente do júri adiou o evento para a próxima semana - medida prevista em lei (o júri não pode funcionar com menos de sete jurados).

Mais de vinte anos após, as mortes reportada dos 115 detentos vai se diluindo na memória nacional.

Além do fato de o comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães ser falecido (fora assassinado em 2006, pouco depois de obter absolvição de 623 anos de pena). Mais cinco participantes da ação repressiva faleceram, reduzindo ligeiramente o contingente a ser processado.

A coisa será meramente retórica, não tenham dúvidas. Como, de forma muito inteligente, o Dr. Drauzio Varela vaticina, em seu livro "Carcereiros" (Ed. Companhia das Letras, 2012), provavelmente não haverá condenados.

Os mandantes NUNCA vão dar "a cara pra bater". Ou vocês imaginam mesmo que o Cel. Guimarães agiu sozinho? Acima dele havia o secretário de Segurança, e o Sr. governador.

E há algo cruel, mas que precisa ser dito. Com o que se lidava?

Estavam enfrentando criminosos, não exatamente ladrões de galinha, mas pessoas com histórico de ilícitos penais graves, em sua maioria. Infelizmente alguns de menor projeção no mundo do crime foram colhidos, mas como dizem os americanos foram "casualties of war" (baixas da guerra). Não era jardim de infância, se me entendem.

O pessoal dos Direitos Humanos vai querer me fustigar por dizer isso, mas o que eles queriam exatamente? Enfrentaram de peito estufado A MORTE. Precisamos parar de nos iludir com panos quentes sobre pessoas que zombam e desprezam a sociedade, e literalmente instalam um novo "modo de vida".

Eu não condenaria aqueles soldados que - COMANDADOS, por alguém que recebera autorização, pretenderam proteger a sociedade.

O pessoal dos Direitos Humanos poderia, por exemplo, advogar a causa de cada um dos presidiários que temos no Brasil, mas se levantam normalmente, nesses casos, contra quem recebe um soldo ridiculamente pequeno, para defender nossa paz...

Precisamos rever nossos conceitos, numa sociedade que tem mudado muito mais depressa do que as "pessoas de bom coração" dos Direitos Humanos percebem. E eu incluo nessa leitura o Pacto de San Jose da Costa Rica.

Brasil... de criminosos que mandam onde querem... te amo, Pátria!

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