terça-feira, 9 de abril de 2013

OS "TRFS" DO LEGISLATIVO E SEUS DIVIDENDOS

Ainda rendendo alguns bate-bocas, a arrepiada que o Exmo. Ministro do STF, Dr. Joaquim Barbosa, endereçou aos açodados que o mimosearam com a notícia de instalação (dada como certa) de mais quatro TRFs, que redistribuiriam a carga das cortes já existentes.

Da malfadada reunião tres associações de magistrados retiraram nota de desagravo, cobrindo o Ministro Barbosa de acusações, e reafirmando suas posturas "corretas", "educadas"... por aí vai.

Como já comentara no site Conselheiro Jurídico (www.conjur.com.br) penso que na verdade o nosso Presidente não tem mesmo o "jogo de cintura" tão bem jogado entre os integrantes do Legislativo. Pior para o ministro, que passa a ser olhado como "persona non grata".

Entretanto, lhes peço a condescendência de ponderar rapidamente algumas pérolas desse "imbróglio" todo.

Não consigo divisar, na linha pregressa do tempo, alguma decisão do Legislativo que viesse contemplar - de maneira cristalina e sem ilações indevidas nem comprometimentos políticos - a sociedade brasileira. Dizer que o Ministro mostrou-se contra a liberdade de decidir do Legislativo é brincadeira - eles decidem o que querem! E quando querem! 

Insinuar que ele fez teatro, de certa maneira, ao permitir que jornalistas observassem a reunião nada mais é do que demonstração de transparência, coisa tão carente em nossa Pátria. O homem não mandou recados, mas mostrou mágoa contra algo que foi literalmente urdido no Legislativo.

Todos aqueles senhores togados sabem da pressão extraordinária que as instâncias intermediárias estão experimentando (muito dessa pressão fruto mesmo das mandadas políticas do Legislativo). Não precisam do Legislativo para avisá-los. O presidente do STF inclusive demonstrara com números, vejam só, que os gargalos NÃO ESTAVAM nos TRFs, mas nas instâncias inferiores, conforme noticiou jornal de larga circulação.

Adicione-se que ninguém apareceu para fazer cálculos de onde se espremerá a despesa com os novos órgãos, exceto o ministro ora sob objurgatória que, com cautela, preveu uma despesa de oito bilhões anuais!!! Quem, afinal de contas, está se mostrando responsável diante do povo?

Senhores, ponderem... essa loucura toda é como se o vizinho de repente, ao longo de anos podando a hera do seu lado, resolvesse pular o muro, para mudar o meu gramado de lugar!

O Legislativo não foi representado, nada obstante os votos expressivos. O que tivemos foi uma horda de servos, apoiando uma minoria que vai sair beneficiada com a festança de instalar mais quatro cabides de emprego (sejam eles necessários ou não!). E observa-se mesmo - como a nota de desagravo das associações informe - nossos parlamentares SÃO INTELIGENTES, mesmo. Mas podem olhar outra vez, essa inteligência é canalizada pelo quanto podem e/ou vão auferir com a coisa toda.

E eu fico é surpreendido de a AMB e a AJUFE, principalmente, e também a ANAMATRA, se juntarem para endossar a movimentação dos rapazes empolgados do Congresso - que diabo de fisiologismo é esse (odeio fisiologismo) que fecha com o Legislativo, e deixa o Judiciário sem respaldo? Observe-se que os pedidos para que a PEC sob exame não fosse aprovada foram reiterados, e aparentemente ignorados nas duas casas legislativas.

E a turma ainda quer que o homem, que se sentiu lesado pela própria categoria, os atenda com brandura, com a finesse da côrte... Ah, façam-me um favor!

O que esperavam? Champagne, para celebrar o desrespeito com o mandatário máximo do Judiciário? Chocolatinhos, para relembrar de como o ignoraram, em seus instantes pedidos de reavaliação?

O Exmo. Sr. Ministro tinha TODAS as razões para estar aborrecido. Foi literalmente "sacaneado" pelos seus colegas de classe. E não confundam seu modo enfático, sem rodeios, de abordar temas espinhosos - dessa vez ele estava mesmo fulo, e com razão, pelo aqui expendido.

Me perdoem, cabeças coroadas do Judiciário. Vocês foram enganados pelos rapazes do Legislativo, e o chefe de vocês está pagando o pato (e justamente porque não quer que nós, os demais brasileiros, paguemos por ele).

Brasil, meu Brasil... como nossos homens públicos podem ser tão indecentes?

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