segunda-feira, 27 de maio de 2013

A FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO

Vez por outra eu posto aqui alguma consideração sobre Educação.

Até uns - digamos - 60 anos atrás, tínhamos Educação de excelente qualidade. Então aconteceu a "Revolução" de 64, que engolfou direitos civis, liberdade de opinião, livre pensar, e no embalo da coisa foram instituídos novos parâmetros educacionais, e de lá para cá o que se viram foram algumas iniciativas isoladas de rever o modelo existente, sem muito sucesso, pelo que vemos.

Nada obstante as iniciativas dos CIEPs e CIACs - aplaudi quando da implantação daqueles projetos, as coisas foram declinando e, ao final do século, o que se observava eram destroços de um sistema que povoara nossa Pátria de gente instruída.

Antigamente a rede estadual  do 'ginásio' e 'científico' era disputada literalmente "a tapa", tanto que para que eu fosse admitido num dos melhores colégios da cidade do Rio de Janeiro, precisei me submeter a prova seletiva. E o que tínhamos nas salas e laboratórios do Colégio Estadual Visconde de Cairú era educação verdadeira, suporte para a vida de muitos brasileiros e brasileiras.

Pouco depois da "Revolução" (acho impróprio o termo - revolução deveria vir do povo, e o que aconteceu veio dos quartéis, e o nome deveria ser "golpe"), o grêmio acadêmico daquele colégio fora desativado, e seu auditório lacrado - me lembro claramente das tábuas e pregos aplicados a uma das entradas (creio que a principal).

Cabe pontuar aqui que não tenho nada contra os militares, mas acho que eles foram USADOS, de uma maneira pérfida e elaborada, para transformar o Brasil no que temos hoje, dadas as mãos que passaram a dirigir os destinos da nação.

Tínhamos inclusive militares nos ensinando! Professor __________, de Educação Física, Professores ___________ e ___________, de Ciências... Cabeças pensantes, preciso dizer. Lá, uns aprenderam a ser analistas laboratoriais, outros viraram técnicos contábeis... tantas inspirações, tanto suporte para a vida!!!

Podem verificar dentre os ex-alunos do meu colégio, somente, quantos sossobraram na vida! E não só do CEVC, mas do Andrews, do Brigadeiro Schorcht, do Pedro II (esse de gestão federal). Poucos exemplos surgirão, porque aqueles jovens tinham balizamento firme e claro.

Se alguém ainda coleciona os livros em que aprendera naqueles tempos, ao apresentá-los a quem quer aprender, verá que serão preciosidades totalmente utilizáveis, mas surpresa acontecerá - muitos dos docentes de nossos dias não terão o conhecimento que alí está!!!

O que temos hoje em dia são instrumentos de ensino sendo vilipendiados dia a dia, estruturas, material humano e, o principal, o relacionamento aluno/professor tem sido corroído justamente por essa espiral descendente, na qual quem ensina pouco transmite menos ainda a quem vai ensinar a futuras gerações - mais adiante. Os processos de suprimento aos alunos menos favorecidos (material escolar, uniformes, merenda*) que funcionavam razoavelmente bem naqueles tempos, hoje são um arremedo atroz - merendas corrompidas ou de segunda qualidade, em muitos casos, recursos para essas assistências desviados... caos, em suma.

Em acréscimo que se me afigura puro sadismo coletivo, a classe docente, especialmente em seu segmento público, tem sido sistematicamente desvalorizada, submetida a tipos de degradação que me parece divertir a classe dominante!!!! PORQUE NINGUÉM FAZ NADA?

Não me conformo com isso. Afinal de contas, a educação é base de uma civilização. E, embora tenha consciência que a decadência é global, creio todavia que um outro componente em falta no nosso caso doméstico é o descaso político com o "status quo".

Mas... "é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre..."

Esperamos que nossas autoridades acordem antes que o quadro chegue a uma conjuntura que faria "O Alienista" (Machado de Assis) ficar com inveja...

Brasil... como sofres Pátria amada!

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