sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A ÉTICA E O SENADOR

Colho, em jornal de grande circulação nacional, essa pérola, atribuída ao senador Lobão Filho (PMDB-MA): "...a defesa da ética intransigente é uma coisa muito subjetiva..." Confiram no link a seguir:

www.estadao.com.br/noticias/impresso,lobao-filho-recua-e-afirma-agora-que-vai-discutir-etica-,1061315,0.htm

Trata-se de opinião a propósito do novo projeto de Regimento Interno do Senado, do qual o ilustre senador faz a relatoria.

Não bastassem cédulas em cuecas, relacionamentos com bicheiros, propinas distribuidas para finalidades escusas, apropriação de áreas da União para finalidades pessoais (vide o senador Gilberto Miranda e sua mansão)... agora temos um embate direto com a própria ÉTICA.

Observem, amigos. Não é um mero atentado à ética. Trata-se pura e simplesmente de uma idéia que implique na neutralização de palavra tão "agressiva".

A sua fala infeliz, o senador adicionara (parece que se arrependeu da abordagem infeliz) que "O que é ética para você pode não ser para mim. E aí incluir isso iria gerar problema de conflitos ali..."

Sem dúvida, Excelência. O que é ético para muitos de nossos políticos (incluindo aí senadores, deputados de todo tipo e vereadores, dentre outros menos cotados) MUITAS VEZES não é ético para populações inteiras (leia-se "brasileiros"). E eu vejo com clareza que o conceito de Ética que entendo tem interpretação diferenciada mesmo, por parte de muitos senadores e outros políticos.

Mas, Excelência, essa argumentação soa tão estranha quanto ponderar que a Álgebra tem diferentes facetas, dependendo do ponto de vista. Ou seja, que não é exata.

Pois bem, a Ética, caso V. Excia. não saiba, é algo imperativo em sociedades organizadas (claro, os membros de nosso Legislativo têm uma visão diferenciada desse conceito - sociedade organizada=zona). Não se pode constituir vida em sociedade sem um mínimo de ética, sem alicerces de respeito e senso de limites. A Ética é inarredável especialmente da vida pública. Ponderaram que ela não está presente em diversos corolários, mas olhe outra vez, Excelência! Todos os Estatutos de Servidores Públicos a têm inscrita. Regulamentos de autarquias de serviços públicos idem.  

Mas então, Excelência, vamos substituir Ética por "vergonha na cara"?

Eu acho que ficaria mais explícito o significado, que talvez algum espírito mais simples (?), no Congresso entendesse melhor do que essa singela palavra - ÉTICA, que acompanha a sociedade humana há milênios...

Brasil... meu Brasil amado... teus políticos teimam em demonstrar que não têm vergonha... como pode isso?

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