quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

AP 470 E SEU DESFECHO - UM PODER SE DILUINDO...

Quinta-feira, vinte e sete de fevereiro. Mais um dia negro, na história da Pátria amada.

Hoje se demonstrou de forma cristalina como está sendo diluído, e com que ritmo, um dos tres poderes em que habitualmente se fundam as repúblicas democráticas modernas. Mas a "ópera" não aconteceu hoje... veio se apresentando aos poucos. Preparativos "pro-forma" aconteceram. E isso vem de anos atrás, quando o STF foi tendo seus integrantes escolhidos... querem ver? Reflitam!

Primeiro movimento - escolhas de primeira linha, contemplando detalhes como por exemplo isenção de juízo ideológico, isonomia na abordagem étnica... algo do tipo "o Judiciário que o Brasil quer e precisa". Até o debate contraditório foi minuciosamente planejado, de molde a parecer, no futuro, que tudo era isento. Jogo de cena. E nós pensávamos que a coisa era pra valer.

Segundo movimento - debates ardorosos, AINDA QUE sabendo que resultado viria, também previsto de antemão. Acusados incriminados, que seriam condenados, para depois virem a ser "homenageados". Houve até "adevogado" dizendo que seu cliente era inocente, mesmo após robustas provas (um holofotezinho gratuito não mata, pobres "rábulas"). Declarações estúpidas, do tipo "fulano vai recorrer ao Tribunal Internacional" (bobagem, o Tribunal de Haia não se ocupa dessas coisas*... entendem o porquê de tão vazia declaração?). Silêncio na vizinhança (i.e., Congresso Nacional). Claro, ninguém quer perturbar o enredo da ópera... Segue o "enterro".

Terceiro ato - movimento - novas nomeações, escolhas combinadas, inclusive com o beneplácito das entidades de classe, que pudessem desequilibrar os pratos da balança de Artêmis. Prepara-se o terreno para seu epílogo.

Revisão processual. Agora sim, sem muita argumentação, sem emoção, algo quase mecânico, não fossem manifestações inermes de alguns paladinos da Justiça - ciosos, para além de si mesmos, em defender o Estado de Direito, os triunfos duramente conquistados ao despudor, imoralidade política, desonestidade cidadã foram confiscados, enlameados, destruídos.

Aos alienados e descuidados, parece que a Justiça foi feita. Parece. A quem aproveita o desfecho de hoje?

Restou o triunfo dos imorais, dos desonestos, dos aliados de si mesmos. Cujo objetivo maior não é servir a nação, mas exercer PODER sobre ela. Resta a explicação implausível de que cada um daqueles senhores - tão bem conhecidos uns dos outros, a ponto de se frequentarem socialmente -, trabalhava solitário, em quebra-cabeças de gente grande. Como é que isso entra na cabeça dos novos julgadores? Isso é irracional!

Doravante, a Justiça não tem como reerguer a cabeça, a não ser que um milagre sócio-político aconteça. A partir de agora, se um julgamento minimamente afrontar os outros poderes, a decisão será POLÍTICA. Não exatamente justa, não sei se me entendem. Análises sobre a retidão ou não da C.F. não serão mais sob ótica legal, nem sócio-cultural - terão crivo ideológico. Calafrios ameaçam, ao comparar nossa terra com um poderoso império do leste europeu, que há alguns anos se fragmentou...

Novas escolhas para o STF? Ah... parodiando Dante: "Abandone a esperança, aquele que aqui entrar." Serão novos eleitos do sistema, alinhados com a perversão emanante de "Utopia".

Restam dois poderes eretos, somente. E ambos vivem em simbiose, um necessita do outro. O Judiciário? Ah... coisa superada...

Estou triste. Preciso confessar que digitei essas linhas chorando por dentro. Pobre povo brasileiro! Pobre gente sofrida, roubada, desrespeitada, alienada, que ainda (muitos, ao menos) ousa louvar seus opressores e vândalos oficiais, aqui e acolá, nessa imensa terra sem lei (nem saúde, nem educação, nem honra).

Sabem o que mais? O que se perpetrou hoje não vai aproveitar nem aos netos daqueles senhores, que produziram essa obra horrorosa... eles também serão vítimas!!!!!! (não que isso represente algum tipo de alegria de perdedor...).

Brasil, terra adorada, como eu sofro por ti!
*O Tribunal Internacional, com sede em Haia, Holanda, se ocupa de questões supranacionais (via ONU) e/ou em nível de Estado. Não atende petitórios de ladrão de galinha, por exemplo.

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