ONDE RESPONSABILIDADE NÃO SE APRENDE - SÉCULO XXI

Entardecer de segunda-feira, vinte e quatro de março de dois mil e quatorze.

Mais uma vida jovem ceifada, outra permanentemente traumatizada. O jovem Kaleb, pilotando seu bólido BMW, perdeu o controle do volante, acertou em cheio um poste, e mandou seu amigo de infância Daniel pela janela... Imaginem a tragédia.

Enumerando os erros que conduziram à fatalidade, encontramos que: a) o falecido não usava cinto de segurança; b) sem dúvida alguma o veículo trafegava em velocidade superior à da via; c) há indícios fortes de que os rapazes estivessem sob considerável teor alcoólico, incapacitados, portanto, para guiar.

Mas há um componente que faz fundo para tudo isso. Algo que permeia o decisório humano, e tem sido sistematicamente desconsiderado. Em todas as esferas do relacionamento social.

RESPONSABILIDADE.

O jovem Kaleb, no viço de seus poucos anos, não aprendera sobre responsabilidade - contraponham o que for, mas com toda a certeza nunca teve alguém que lhe mostrasse corpos despedaçados, carros queimados, e dissesse que aquilo ACONTECERIA mais dia, menos dia, se a responsabilidade fosse abandonada.



Vocês me acham cruel? Alguém certamente vai dizer "esse $%&@@#! não sabe do que está falando!"

Sei sim. Só o Eterno sabe o que o futuro nos reserva, mas eu também tive filhos, e os ensinei sobre o que preserva a vida e o que a destrói.

Entregar as chaves de uma BMW na mão de um jovem e dizer "dirija com cuidado!" NÃO É SUFICIENTE (tampouco é demonstração de amor - no máximo será uma outra forma de dizer "viva a tua vida").

Assim como entregar um pacote de "camisinhas" na mão de uma menina recém-saída da adolescência e  lhe dizer "cuide-se" também NÃO É SUFICIENTE. Isso é uma discreta sugestão à libertinagem, num raciocínio "ah, todo mundo faz, acredito que você vai fazer também."

Igualmente será irresponsável publicar-se um anúncio de bebida alcoólica e, ao final da produção, colocar alguém dizendo rapidamente e em voz baix "beba com moderação". ISSO TAMBÉM É IRRESPONSÁVEL (no caso, naturalmente, atende ao interesse de retorno lucrativo das cervejarias/destilarias).

O século XXI, das liberdades absolutas, aparentemente tem deixado transparecer um raciocínio suicida, que eu sintetizaria como "não tenho nada com isso." Pode parecer uma decorrência natural, os pessimistas dirão que é o rumo da humanidade, em direção a seu declínio, isso de as pessoas serem insensíveis.

A coisa cruel é que as pessoas de modo geral estão se dissociando tanto de suas responsabilidades, que a coisa já a algum tempo começa a se voltar contra os descendentes, as novas gerações.

Um resgate - não acredito de modo algum que os pais dos rapazes acidentados não os tenham alertado sobre os perigos da vida (inclusive os de beber demasiado, e/ou beber e conduzir). Certamente o fizeram.

Mas não acreditem em mim. Reparem ao redor como estamos cada vez menos incomodados com o desastre de outrem. Coisa mais trágica.

Estamos lidando com adultos incompletos em sua formação, que geram adultos ainda mais deficientes de parâmetros, que geram... o parafuso é interminável, rumo à dissolução. E não estou sendo fatalista, é só se analisarem as civilizações que já se extinguiram sobre a terra.

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