RESERVA PARA AFRODESCENDENTES OU... COMO SE CRIA UM SISTEMA DE CASTAS

Objeto de muita polêmica, me parece agora instituída uma das maiores burradas, senão a maior (corrupção é "hors concours"), já imaginável - até então - na nação tupiniquim. Me refiro ao sistema de "quotas" contemplando pessoas da etnia negra, ou assemelhados (pardos, indígenas, amarelos, etc).

Onde se vá, em termos burocráticos, é deparável a ressalva, que soa muito mais preconceituosa do que sua própria razão de ser - AFRODESCENDENTES.

Como tenho em minhas veias um autêntico coquetel - ancestrais paternos negros e portugueses, maternos portugueses e índios, me vejo a cavaleiro para criticar a estupidez transcendental, ora referenciada.

Vejam, meus amigos - ao reconhecer-se beneficiário ao sistema de quotas que vem sendo imposto aqui e acolá, alguém está na verdade, numa forma passiva, passando as seguintes mensagens:
- sou visto com alguém à margem da sociedade como um todo (embora não pareça);
- ainda que eu não tenha o preparo adequado, mas essa turma "vai ter de me engolir", porque me discriminam.
- (já) estou me considerando um "intocável". Essa sociedade preconceituosa me devia isso.

Pensemos. A integração com a sociedade passa por TODOS SEREM TRATADOS IGUALMENTE. E não privilegiar aqui ou acolá. O brocardo ignorante (porque vago) que ouvi uma vez, numa turma de acadêmicos de Direito, de "tratar de forma diferente os desiguais" rema na contramão do contrato social. É algo mais ou menos como "todos são iguais perante a Lei, mas alguns são mais iguais..."*

O que se quer quando, por exemplo, são selecionadas pessoas para cargos públicos, é EXCELÊNCIA no cargo. Esse deve ser o apanágio do processo, e não "ação social". Se supõe que as pessoas aprovadas efetivamente detém conhecimento para os cargos ou funções concorridos. NÃO É, como muitos consideram, algo para beneficiar a sociedade. É algo, na verdade, para TRABALHAR pela sociedade, e aí não devem ser admitidas preparações ou arcabouço acadêmico sofríveis, mitigáveis na premiação da incompetência.

Espero que me entendam. A premissa básica, por trás dos sistemas "facilitadores" (vulgo quotas) é mitigar aqueles que experimentaram mais dificuldades em sua jornada escolar/acadêmica, tendo em vista suas origens, etc e tal... e então elegem os "afrodescendentes"... Mas...

Pessoas com dificuldades educacionais e/ou acadêmicas as há de todas as cores. E agora, se existirem pessoas de outras etnias que comprovarem que suas limitações acadêmicas aconteceram devido a problemas com a gestão pública... como fica, serão beneficiados, com alguma "quota"?

A problemática do preconceito racial é intrínseca ao indivíduo. Tem preconceito quem quer, principalmente nesse nosso século de repúdio (corretíssimo) a manifestações da espécie. Porque então a sociedade como um todo haveria de pagar pela estupidez e intransigência de alguns de seus integrantes?

Porque, não se enganem. O que está acontecendo é tão somente uma outra forma de diferenciar nossos irmãos de pele escura ou negra. Não se lhes faz favor algum ao identificá-los como um segmento que, por suas características, merece maior beneplácito social.

Pensem num quadro hipotético dentro de um órgão público - "aquele camarada lá da repartição X se acha o tal, mas ele está aqui pelo sistema de quotas." Isso fatalmente vai acontecer, e não importará se a pessoa for competente - ELA JÁ TERÁ SOBRE SI O ESTIGMA.

Algo totalmente diferente rege o sistema de quotas para pessoas com necessidades especiais, porque a dificuldade não será CONHECIMENTO, mas sim habilidade/condições para desempenho das funções, e para isso são possíveis ajustes de leiaute, de equipamentos... não é uma cor que diferencia as pessoas, são suas possibilidades funcionais.

*isso me lembra a propaganda de um conhecido banco múltiplo - "bom para todos" - acontece que eu descobri que o tal banco é "melhor para alguns"...

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