NOS LABIRINTOS DA JUSTIÇA

Lembram-se daquele deputado do Paraná, Fernando Ribas Carli Filho?

Então... o moço envolveu-se num acidente, na cidade de Curitiba, destruiu seu possante (sofreu algumas escoriações) e também um outro veículo, no qual estavam duas pessoas (que morreram).

Foi registrado que o digno representante do povo se encontrava em alcoolizado, no momento do infortúnio. Também que seu veículo estava próximo aos 190km/h, quando atingiu os rapazes. Não se fala muito, mas também estava com algo em torno de 130 pontos - por infrações de tráfego - registrados em sua CNH.

Mas então, nos labirintos dessa justiça lacunosa que temos, foi desconstituído o laudo indicando alcoolemia, pois que o ilustre defensor do deputado ponderou que isso seria crime de trânsito, e não teria exatamente algo a ver com as mortes... confiram...

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1467378

Não sei bem se entendo... seria algo semelhante a alguém dar um tiro em outrem, mas isso não configurar assassinato (existe crime de 'detonar arma'?), porque dar um tiro é uma coisa, e a outra pessoa morrer é outra (desígnios de Deus, alguém diria...)?

Enquanto isso, os mortos (isso mesmo, OS MORTOS) estão sendo culpados por passarem na frente do ilustre deputado (tá certo, políticos deviam ter faixas exclusivas... é assim?). Pessoas, no final de contas, aqueles rapazes serão julgados, condenados e as chaves de suas sepulturas jogadas fora... quanta ironia!

Pessoas, não quero e nem devo criticar os membros do órgão da Justiça que assim desconsiderou o laudo de alcoolemia - capaz, em si, de representar condenação para o Sr. de Carli, quando não bastasse a condução em velocidade temerária, o que também seria motivo para a acusação de intenção de matar (as ruas de uma cidade média não admitem mais do que 70 km/h, PENSEM NISSO).

O processo já se estende por mais de QUATRO anos (experimenta fazer a mesma coisa, e tenta protelar o julgamento por esse tempo todo? DUVIDO que consiga... mas já o ilustre deputado...). E agora o Dr. Dotti, advogado do Sr. de Carli, pretende postular a desconstituição de Júri Popular (claro, arrostar jurados, nas condições em que o acidente ocorreu, é muito perigoso para a saúde do acusado). Esperto, o moço.

Meus amigos, coisas como essas é que deixam nossa gente entre perplexa, irritada, e ciosa de que fazer justiça "não é o ramo" da justiça. Eu vejo tanto tráfego de influência que, me perdoem, senhores, mas é difícil de se saber de um julgamento totalmente isento, nesse Brasil.

Aos "adevogados" que isto lerem, um lembrete - tudo certo que vocês têm a habilidade despertada nos bancos acadêmicos, armas de retórica e a esgrima da lei para defenderem seus clientes, mas... o que se busca, exatamente? Em outras palavras, até que ponto esses profissionais estão dispostos de ir, para defender um criminoso? Lhes recomendo cuidado, porque honra muitas vezes está onde NÃO HÁ RECOMPENSA.

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