terça-feira, 23 de setembro de 2014

DIVÓRCIO E VIDA ADIANTE

Aos desavisados... estou divorciado há perto de quatro anos já. Ou melhor, separado há perto de quatro anos, divórcio formalizado há pouco mais de dois.

Algo inimaginável até um passado recente. Nunca cogitei de sair da relação conjugal. Me parece que a coisa já vinha cozinhando em fogo baixo e, aos trinta e poucos anos de casado, aconteceria o tsunami que me deixaria novamente só no mundo, em termos de relacionamento íntimo.

Nesses tempos pós-modernos (precisava conhecer o animal que cunhou esse rótulo, para lhe dizer algumas verdades... o que viria depois do moderno? E consuetudinariamente, o que viria depois do depois? Ah, me poupem os preciosistas!) de amores instantâneos - que o digam os relacionamentos entre atores de Tv, e relacionamentos negociados e de vidas descartáveis, eu nunca me vi no figurino em que me encontro agora.

Bem, aconteceu. E depois de marchas e contra-marchas, concluí que foi a melhor solução para ambas as partes. Nos libertamos um do outro, embora nos consideremos muitíssimo. Bola pra frente. Continuamos amigos, mas cada um segue seu rumo.

Uma problemática difícil de se lidar é - como ficam os "sobreviventes" do desastre?

A gente fica assim meio sem rumo, inicialmente. Depois, ao retomar a torrente da vida, descobre que a fila andou (e ligeiro!), e precisamos nos ajustar em alguns novos princípios, se quisermos andar no passo da atualidade. Claro, a velha manha ajuda, e quando temos índole mais extrovertida (é o caso do escriba aqui), a tarefa é menos complexa.

Vamos reaprendendo a nos mexer num mundo mais que agitado, algo assim como nadar com um braço só, até que... 

E os filhos? Ah, os filhos... sempre se insurgirão contra o "tsunami". Estejam maduros ou sejam ainda pequenos... Os mais maduros (meu caso) se aborrecem, dizem coisas, mas vão entender, suas vidas prosseguem. Os pequeninos hão de precisar de MUITA PACIÊNCIA, honestidade e carinho, para que consigam recompor suas vidinhas, e seguir sem sequelas...

Para os amigos - ah, os amigos! Há amigos que literalmente somem. Parece que a gente fora acometida de uma doença contagiosa. Alguém pode dizer que estão constrangidos com a coisa toda. Pois eu lhes digo - um divorciado precisa de muito mais suporte do que qualquer borra-botas bajulador por aí. Tenho amigos que só conseguiram segurar a onda (inclusive de pensamentos de suicídio e quadros depressivos) porque apareceram os amigos... isso é coisa séria. Não desprezem os amigos eventualmente atingidos pelo despertar da maturidade, ou da nova onda hedonista. Conselho de amigo (ok, divorciado).

LEMBREM-SE... É TRAUMÁTICO. Não há "workarounds" como diriam os americanos. Não há maneira de não ser traumatizante. Mas é preciso se entender que há uma diferença imensa entre duas pessoas morando sob um mesmo teto, e duas pessoas compartilhando de um casamento. ISSO É FUNDAMENTAL SE ENTENDER. E não é um diagnóstico simples, não se enganem. 

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