POLÍTICA PELA POLÍTICA - OU A ARTE DO DESENCANTO

Ontem, um meu amigo, pensador contemporâneo,Vitor Oliveira*, estava ponderando sobre a relativa inutilidade de algumas manifestações.

Pontuou particularmente o caráter inócuo de algumas revistas semanais, cujas capas trazem - número após número - declarações ou revelações bombásticas, que, afinal de contas, pouco efeito produzem, vez que dirigidas a um público já cativo e, destarte, ciente da maioria de tudo o que está sendo veiculado. Inócuo, pois, volto a repisar.

O homem cunhou uma sentença que me chamou atenção - "a satisfação com o voto é algo que eu não acredito existir". E, em outra parte - "o eleitor do PT votará desencantado em sua candidata, assim como o eleitor da oposição votará em seu candidato TAMBÉM desencantado.

Naturalmente, a frase estava no bojo de um curtíssimo debate, do qual transcrevi somente as "pérolas".

Me fez pensar. E, naquela meia hora em que esperei o sono me acolher, estive matutando sobre o modelo brasileiro de se fazer política, o que temos de bom, o que temos de ruim.

Porque, ora, ora, ora! Será que os cidadãos da Noruega, por exemplo, estão "desencantados" com seus políticos?

Importante lembrar que nossa Constituição sacraliza o pluripartidarismo, uma coisa estranha em que algumas tendências são mais, outras mais ou menos, outras menos, outras menos ainda... e nessa caldo indecente de tendências proliferam - quais bactérias mortais - nossos políticos, em sua maioria corruptos, fisiologistas, dentre os quais há alguns que se arvoram a senhores feudais (imaginem, em pleno século XXI!).

Nossa Pátria amada, Salve, Salve! tem experimentado desde os primórdios como nação, os mais diversos tipos de perversidades políticas. Desde a vinda da malfadada - quem tiver dúvidas estude história - família real portuguesa, até nossos dias, se repetem as epopéias de sanguessugas do Erário. Mas isso seria nada, se a nação se movesse rumo ao futuro. Se tivéssemos níveis aceitáveis de emprego (para uma população crescente**), padrões de segurança, saúde e transporte que representassem avanço sócio-econômico, estaria tudo bem.

Mas não, a classe política não tem interesse nisso. A preocupação é com poder, com sujeição da massa, com elitização da classe, desde sempre. Notem que ressalvadas exceções honrosas (me vem agora à mente o desempenho dos militares, durante o tempo em que estiveram no poder - que ninguém lhes tire o crédito da maioria das coisas que persistiram no Brasil; e também, mais recentemente, o exemplo de administração - por cima de "zilhões" problemas herdados, do Sr. Alexandre Kireef, da cidade de Londrina - PR).

Iniciativas históricas, como por exemplo a CLT promulgada pelo caudilho Getúlio Vargas (hoje uma lei que não serve a uma nação capitalista), ficaram isoladas na mente coletiva. Não existiram iniciativas de vulto.

Enquanto isso, os problemas sociais foram se amontoando, hordas de miseráveis foram sendo geradas, ano após ano, o apelo da cidade grande nos trouxe problemas inauditos, e hoje o que temos é uma nação literalmente detonada - NADA FUNCIONA BEM AQUI.

E, então, nesse caldeirão infernal, vem o processo eleitoral. E surge uma constatação surpreendente - o eleitor médio brasileiro está "órfão"!

Órfão de alternativas sérias, dado o histórico antecedente. Orfão de homens de brio, capazes de dirigir a nação. Orfãos, entregues à própria sorte, num país onde segurança só existe entre traficantes, saúde só se pagando a peso de ouro, educação deficiente - não por culpa dos professores, a culpa é do sistema todo... órfãos, e DESENCANTADOS com as perspectivas.

É... os eleitores do PT veem tudo acontecendo ao seu redor, mas votarão, baseados na premissa torta de que "rouba, mas faz" (faz o que de bom, exatamente, é discutível).

Os eleitores da oposição estarão desesperadamente dando um crédito à nova cara (não tão nova assim...).

Mas a meu modesto entendimento, me parece que o básico, essencial, é eliminar-se o continuísmo, que - ESSE SIM - fertiliza o terreno onde a corrupção viceja. Qualquer solução será melhor do que o continuísmo de já DOZE anos de desmandos.

* casualmente é meu sobrinho... heheheheh
** a problemática de falta de empregos não tem sido discutida adequadamente. O desafio maior é que a população ESTÁ CRESCENDO. Simples assim...

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