SUA "INCELENÇA", O JUIZ

Carteiradas... uma outra vergonha nacional...

Novo episódio envolvendo um togado vem a lume.

O Dr. Marcelo Baldocchi, MM juiz titular da comarca de Senador La Roqque, no Maranhão, se atrasara para um voo. Chegando "avexado" ao aeroporto da cidade de Imperatriz, lhe informaram - estou certo de que o fizeram com a cortesia padrão, imperturbáveis que costumam ser esses empregados - que o voo já estava "fechado", e ele não poderia embarcar NAQUELE VOO.

Bem, bem, bem... isso já aconteceu comigo, e eu ainda pude até observar a escada sendo destacada do avião, mas nem minhas lamúrias, sequer lágrimas, fizeram com que os atendentes me franqueassem acesso ao pontual avião.

Mas, ao que parece, a salvo estão, ou deveriam estar, os representantes de algumas carreiras, não é mesmo, Dr.  Baldocchi?

Porque o digníssimo representante da Lei decidiu "causar" e começou altercação em que daria voz de prisão a tres funcionários de consagrada empresa aérea nacional, a pretexto de que eles teriam... feito o que mesmo?

Sem pretensão alguma de educar o douto juiz, preciso ponderar, Excelência, que o tempo a partir do qual não são mais admitidos acessos aos aviões prestes a decolar trabalha em favor DE V. EXCIA. mesmo, e em favor de todos os demais passageiros. Acontece que são normas reconhecidas internacionalmente - aquele tempo em que o MM juiz pôde contemplar seu perdido voo, é utilizado para checagens de instrumento, para calibragens, para últimas providências, que permitam um voo seguro aos viajantes (naturalmente, os que conseguem embarcar...).

Vale lembrar que nós, brasileiros, somos campeões em atraso. Ora, Excelência, se a coisa era assim tão séria e urgente, porque não se preparou adequadamente, e COM TEMPO, para a viagem? Sejamos honestos... o Sr. sabia que isso (ser obstado) iria acontecer, concorda?

Deveria causar constrangimento à categoria de magistrados no Brasil que seus representantes estejam exercitando de modo tão ostensivo a famosa "carteirada" - algo por sinal capitulado como crime - ao revelar sua condição de magistrado, na ocasião. Que outra coisa gostaria de ter, com seu esperneio, senão quebrar uma regra? ...que poderia inclusive culminar com a demissão de sofredores funcionários, que certamente não ganham nem um terço do que o Exmo. Juiz percebe.

Não Excelência, fico envergonhado por V. Excia. Me envergonha saber que temos no Brasil pessoas sem respeito a outrem ou às rotinas sérias do trabalho de outrem.

Me envergonha imaginar que um magistrado poderia se nivelar, em matéria de "barraco", com pessoas menos cultas, que os lorpas e pascácios denominariam de "pé-de-chinelo".

Me envergonha sobremaneira saber que nossos homens públicos não costumam ter compostura (não estou falando APENAS de V. Excia., falo de modo geral), e passam exemplos que poderão ser alegremente seguidos pelas massas menos aquinhoadas, simplesmente porque "ué, se o 'homi' pode, eu também posso".

Infelizmente, Excelência, o episódio me evocou o triste capítulo que escrevera, não muito tempo atrás, o Dr. João Carlos Souza Correa, um colega togado de V. Excia. que protagonizara algo inadmissível para um cidadão, mas ABOMINÁVEL para um juiz.

Bem, nos parece que S. Excia. já tem problemas suficientes para ocupar o pensamento (http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/12/08/juiz-que-deu-voz-de-prisao-ao-nao-entrar-em-voo-ja-usou-escravos-duas-vezes) conforme o jornalista Leonardo Sakamoto pontuara. Assim, deixemo-lo com suas chaminhas...

Precisamos que os homens sérios de nosso país se comportem COM seriedade. É insuportável se imaginar um homem público literalmente "descendo do pódio" para patrocinar querelas no mínimo, injustas, para não se dizer imorais.

MUDA, MEU BRASIL INCULTO E SEM RESPEITO!

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