NÚMEROS DA ESTUPIDEZ - O SISTEMA DE DOCUMENTAÇÃO BRASILEIRO



Quem por acaso já não passou pelo inconveniente de supor que CIC bastasse, mas precisava também do número do R.G.?

Quem, no Brasil, já não confundiu essa miscelânea de códigos, em algum momento da vida?

Pois então. Um cidadão de média projeção, no Brasil, precisará de certidão de nascimento (coisa óbvia, mas precisa de número?), C.I., CIC, PIS/PASEP, registro nas Forças Armadas (ao menos os homens são obrigados), número de CTPS, cartão de registro no SUS (quem precisa do SUS é obrigado a ter)...

Se for profissional liberal, terá um registro (com número próprio, claro), em seu órgão de regulação (CRM, CRO, CREA, etc e tal...).

Se o sofredor brasileiro for habilitado para guiar veículos, terá também impositivo um número de CNH.

Se conseguir porte de arma, precisará de uma carteirinha, naturalmente com número próprio.

Passaporte? Mais um número!

Se buscar atendimento de planos de saúde privados (tem pública, sim senhor!!! o SUS!), naturalmente terá mais uma carteirinha, com um número diferente de todos os outros acima (a coisa engraçada é que normalmente os atendentes dessas instituições pedem o número de CPF, não é prosaico?)

Supondo-se todas as alternativas acima, um cidadão médio terá nada mais, nada menos, que ONZE situações de cadastramento!!!! Pode uma coisa assim?

Não admira que se produzam tantas fraudes, no sistema documental brasileiro. As bases de dados "não conversam" entre si, e olha que já estamos na pós-era do cadastramento em computador!!!!!

A título de contraponto - um cidadão comum, nos Estados Unidos, ao necessitar de alguma coisa que demande documentação, ou ao ser abordado pela polícia, precisará APENAS apresentar sua "Driver License" (equivalente à nossa CNH). Eventualmente lhe pedirão "Social Security Number" (equivalente aqui ao número de cadastro no SUS).

É pra rir ou pra chorar, do sistema documental brasileiro?

Como servidor público que sou, fui um dia desses retificar um número de registro de alguém. Nem mesmo o servidor da instituição entendeu o nó que o sistema dá. E o pior é que os funcionários nem sabem ao certo da finalidade de alguns registros.

Porque é necessário existir um sistema de PIS e outro de PASEP, ambos com finalidade semelhante, em seu objetivo? Por causa da origem dos recursos? Por causa da natureza do vínculo empregatício? Ah, contem outra história... Tudo isso se pode planilhar perfeitamente, e a partir inclusive do número no Cadastro de Pessoa Física (CPF, que congrega os CIC - Código de identificação do Contribuinte - dos brasileiros.

Já passou da hora de os sistemas se integrarem. Quanto menos números para cadastrar, menores serão as possibilidades de fraude, maior agilidade no atendimento ao cidadão, menos papelada... por aí vai.

Ouvi falar de um tal de Cadastro Único, cuja sigla até enseja brincadeiras de mau gosto, mas o que aconteceu? Morreu no nascedouro?

Que tal se ao nascer, cada brasileiro já recebesse um sequencial único, seu, através do qual fosse reconhecido? Pois bem, estaríamos copiando o excelente exemplo dos norte-americanos e seu SSN (Social Security Number).

Brasil, meu Brasil... quanta lambança! Será que teus administradores sabem administrar a coisa pública?



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