PEC 471/2005 - A PERPETUAÇÃO DA SAFADEZA



Mais um crime de lesa-pátria está em andamento.

Trata-se nada mais, nada menos da expectativa de que os proprietários de cartório tenham a prerrogativa de alçarem substitutos a titulares da serventia, sem necessidade de concurso, conforme preceitua a já estropiada Constituição de 1988. A PEC 471/2005 traz em seu escopo essa determinação.

Vale dizer, a Constituição vale para mim e para você, leitor. Mas não vale para algumas pessoas, que vão inescrupulosamente manipulando estruturas e rotinas legais, perfeitamente atribuíveis a um servidor PÚBLICO. Aliás, tal possibilidade já é vislumbrada,  ao menos no âmbito da entidade em que lotado o servidor, conforme artigo 32 da lei 8666/93.

A turma acha que cartório é coisa séria. Sério seria o trabalho que desempenham. Não são sérios os prestadores de serviço, sempre dando um jeito de impor mais cargas financeiras a quem lhes busca o serviço, amealhando recursos que fariam os marajás de outras eras morrerem de inveja. Experimente, leitor, levantar a questão para um cartorário qualquer!!!!

O mero arrepio do texto constitucional - tão desrespeitado que a coisa passa até despercebida, quase tres décadas após sua declaração - já deveria ser suficiente para homens sérios, dedicados à causa pública, promoverem o saneamento das questões. Mas falta vontade política, senhoras e senhores, como de resto tudo o mais que, seja para o bem de nossa gente, enfrenta.

Acontece que há feudos nesse serviço cartorial. E há marajás antigos segurando essas pontas - gente já decrépita, cujo único louro há de ser o de viver mais tempo para judiar mais de nossa gente.

A deputada Gorete Pereira pondera que essa seria a alternativa para a recusa de concursados em assumirem cartórios com menor rentabilidade. NOTARAM A PALAVRA? RENTABILIDADE. O serviço público que se "efe", o que vale é a renda da mamata. Mais uma razão para que a coisa não se perpetue, sob risco de haver proteção de feudo sob beneplácito do Estado. Deputada, a defesa de V. Excia. é ridiculamente débil, viciada pelo "jeitinho brasileiro" - já que o Estado não consegue colocar gente lá, eles que se danem - os cartórios das comarcas mais rentáveis TEM DONO... A Sra. nota a distorção de princípios, deputada?

Se você nunca se sentiu lesado num cartório qualquer, me diga. Pode ser em mensagem anônima, está tudo bem. Se aconteceu o contrário, tentem me dizer a respeito.

Particularmente eu acho uma imoralidade COISAS QUE SÓ ELES PODEM FAZER terem a taxação que se sabe existir.

O deputado João Campos deveria se envergonhar de sua proposta, porque não resolve um problema, mas eterniza outros, muitos... o tempo dirá se tenho razão. E, deputado, dizer que essas pessoas, que se dedicaram e investiram recursos próprios, etc e tal... "ficarem ao desamparo"... olha... faz-me rir, Excelência. confira, por gentileza, o sofrimento tremendo que um desses camaradas está experimentando, do excelente blog "Coluna Esplanada":

http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2015/08/29/com-pec-na-camara-e-em-iate-na-franca-cartorario-ironiza-vida-de-pobre/

Ah, poupe os eleitores, Excelência. Isso é sacanagem (me perdoem a chulice). Não zombe da nossa inteligência.

Brasil... teus homens públicos são mesmo sem vergonha (salvo raríssimas exceções!).

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