segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

CORROMPER A FÉ DE OUTREM, OU CRIAR UMA NOVA?


Onde encaixar a "novidade" de nossas comunidades "arco-íris"?

O noticieiro do final de semana traz matéria repleta de (des) informação, a respeito das igrejas "evangélicas" gay. Confiram...

Igrejas gay?

Tenho tentado ao máximo me manter isento, ao considerar essas manifestações contempladoras das minorias com peculiaridades afetivas dissociadas dos padrões até então socialmente aceitos. Mas, num embate amplo entre bases de fé - de ao menos três confissões, cristã, judaica e islâmica - versus interesses de alguns segmentos sociais, me sinto na obrigação de ponderar alguma coisa, em respeito não só a minha consciência, como também àqueles que me leem. Ficar "em cima do muro" é tão confortável quando abominável - um homem sem opinião própria acaba sendo um pária em seu contexto social.

Nosso mundo tem sobrevivido (eu não diria exatamente "evoluído") à sombra de códigos religiosos desde sempre. Assim temos o histórico de cultos dos mais diversos tipos, envolvendo ou não adoração de seres imateriais, ou animais/itens da natureza, alguns envolvendo sacrifícios, outros não, etc. Muitos cultos ainda subsistem, atravessando milênios, como as confissões de fé do hinduísmo, algumas correntes de sociedades aborígenes, na Polinésia, e por aí vai... a diversidade é grande.

Sem sombra de dúvida, três cultos em especial, provindos do chamado "Oriente Médio", têm se destacado na sociedade do século XXI - cristianismo, islamismo e judaísmo. E, como não poderia deixar de ser, algumas derivações menores deles saem - como por exemplo o satanismo (o conceito de "satanás", com esse nome e características aceitas, tem origem nos códigos religiosos dessas tres principais correntes religiosas).

Pois bem. Eu até admito que uma pessoa, ou grupos de pessoas, discordem desse ou daquele ponto de uma doutrina, algo assim. Mas vejam, meus irmãos... a doutrina persiste, até que o segmento social que a cultiva abandone tal código religioso. Assim, ignorar a integridade da doutrina, para adequá-la a alguma pretensa nova realidade, na verdade a corrompe, fatia os fundamentos, e o que temos será então um "Frankenstein" doutrinário, com adaptações e adequações. Um cristianismo que aceite a doutrina original MAS ignore ou exclua algo dela não será cristianismo verdadeiro! Esse é o ponto a que queria chegar.

Desde o Antigo Testamento temos a estigmatização do comportamento homoafetivo - "Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é "(Levítico 18:22). E como se não bastassem mais algumas referências ao tema, naquela parte do código cristão, teremos também no Novo Testamento (segunda parte da Bíblia), referência expressa de "crime" e "castigo", na literalidade do apóstolo Paulo em sua carta aos cristãos de Roma: "...E semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro."(Romanos 1:27).

Vamos então abandonar essas porções do texto "sagrado", em nome das aspirações de segmentos sociais? Pra que serve então a doutrina? 

Volto a frisar - NÃO TENHO NADA CONTRA quem quiser assumir essa ou aquela situação relacional. Tenho inclusive alguns amigos homossexuais com quem debato questões de fé, sem embargo algum.

O que não podemos é estender o rótulo simplista de "cristianismo" a uma ou outra seita em que a doutrina não seja integralmente adotada. Se ela é retalhada, SERÁ TUDO, menos cristianismo.

Fale quem quiser o que quiser. Há alhos e bugalhos. E os há que separar, sob risco de estarmos corrompendo nossas próprias consciências. Omissão quanto a isso pode nos fazer, um dia, diante do Criador, encarar a realidade estranha de defender, diante do Onipotente, uma "verdade" indefensável.
E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
Romanos 1:27
E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
Romanos 1:27

Finalizando, as igrejas chamadas "cristãs" NÃO REPELEM homossexuais. Uma verdade basilar do cristianismo é que Deus ama o pecador mas... não ama o pecado. E se essa condição existe - a rejeição de indivíduos, seja lá qual for a razão - ela precisa considerada e admitida, no exercício da fé. Aqui e acolá, líderes sem visão ou mesmo sem conhecimento bíblico fazem uma generalização perversa e distorcem o ensino de Jesus Cristo. Felizmente, eles não são Deus.

A título de suporte para a idéia do parágrafo anterior, considerem se essas chamadas "igrejas gay" poderiam florescer, por exemplo, no islamismo! Lá a coisa é muito mais reprimida. Mas o cristianismo acolhe SIM. Precisamos é ir com calma, na hora de eliminar pedaços da doutrina do horizonte. Isso a desfigura, retira-lhe a autoridade, transforma a doutrina em qualquer coisa, MENOS no que é originalmente. Até quando vamos retirar pedaços dos fundamentos de fé aqui e acolá, e mesmo assim acreditar nessa(s) nova(s) "doutrina"(s) como uma variedade da original?

P.S. - dissertei acima focado no cristianismo, porque é em cima dele que está acontecendo a "dissidência" apontada na reportagem. Mas os perseverantes podem procurar conteúdos a respeito em outras seitas/confissões de fé... vão ficar surpreendidos com o quanto o resto do mundo NÃO QUER corromper suas doutrinas...

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