quarta-feira, 8 de março de 2017

TRIBUTO A UM ADMINISTRADOR

Moralidade... precisa começar por cada um de nós...


Sem dúvida há bons administradores públicos por aí. Não é possível que numa nação de 5.570 municípios (últimas verificações oficiais), é impossível que não tenhamos bons administradores cuidando de uma ou outra cidade (notem o descrédito por trás do palavrório...).

Me parece que o Sr. João Dória Jr. está indo bem. Deus o guarde! Gerir Sampa é um desafio hercúleo, sem dúvida alguma!

Mas, recentemente mais alguém surgiu da multidão ignota dos administradores públicos... Não é que o Sr. Daniel Guerra, de Caxias do Sul - RS, deu uma "chamada" num faltoso???? Confiram...

Pito de Patrão?

Vamos aos fatos... Um prefeito recém-eleito chega em uma repartição de sua prefeitura, e um funcionário de seu quadro, que deveria estar alí em seu mister, não está - e aparentemente sem justificativa conhecida.

O que ele deveria fazer? O ÓBVIO - perguntar o que está acontecendo. E a quem? Claro, ao dito cujo funcionário faltante.

Então... porque isso está "causando" tanto?

SIMPLES. O FALTOSO É UM MÉDICO.

No âmbito de alguns círculos da área da Saúde, costuma-se dizer que "os enfermeiros pensam que são Deus - e os médicos têm certeza."

A rudeza irônica da máxima denota bem como são vistos alguns (muitos, muitíssimos, eu diria) profissionais da área.

Então, o CREMERS está revoltadinho com a atitude do Sr. Guerra. Entra aqui o fisiologismo num nível de saturação tal, que chega a causar náuseas!

Consideraram "assédio moral", "desrespeito", "falta de ética", a atitude do administrador. Que, com toda a certeza, com clareza, estava estritamente dentro de seus deveres em chamar à atenção alguém que tem compromisso certo, e pelo qual inclusive recebe salário que a maioria dos brasileiros não tem - algo em torno de 5.700,00 (arrendondamento meu). Imaginem, meus amigos e amigas, se você se agenda para um atendimento, e quem deveria te atender não comparece! Pois então... DEZESSEIS PESSOAS estavam esperando.

Se chamar ao cumprimento do dever, ou da obrigação, é "assédio moral", então o CREMERS está certo.

Se tornar público (como se isso fosse exceção) o comportamento desrespeitoso de quem se dispõe a fazer algo sob paga, e não faz... se for desrespeitoso, então o CREMERS está correto, em sua leitura do episódio.

E... o que seria falta de ética, na visão do "egrégio" Conselho?

Bem... bem... bem... no capítulo III do Código de Ética Médica o profissional interpelado certamente seria enquadrado em alguma coisa. Então, falando em ética médica... VAMOS MUDAR DE ASSUNTO?

O que o Sr. Guerra fez está dentro das mais claras e estreitas atribuições de seu cargo - CUIDAR DA COISA PÚBLICA. No aspecto puramente material, ele está arguindo, com outras palavras em "porque está pagando salário a alguém que não está trabalhando". Numa análise ontológica do problema, ele está também zelando pelo bem-estar de quem o elegeu - e não foi pra isso mesmo que o elegeram?

NÃO, SENHORES DO CREMERS. Vocês não têm razão no "esperneio". Melhor seria que ficassem calados, ao invés de se prestarem à faina odienta de defender quem infringe regras pré-estabelecidas, a seu bel-prazer.

Nem sequer a referência a "greve", que o profissional alegou tem cabimento. PESSOAS... os "rapazes" e "moças" de branco querem MAIS R$ 2.000,00 para assinalarem o ponto eletrônico, e por isso fazem greve!!!!!! Imaginem se a moda pega, pra quem precisa " bater o ponto"??????? Poderíamos rotular isso de "assédio moral" praticado por uma categoria inteira, contra seus empregadores?

Senhores do CREMERS, leiam novamente a estupidez que exararam - "injustificável a exposição midiática do médico, e o uso político no trato de uma questão administrativa, comum no dia a dia"... Isto é, reconhecem com todas as letras que esse comportamento rebelde e desonesto (de não trabalhar e, mesmo assim, receber salário) é algo corrente, costumeiro, institucional mesmo!!!!

À classe médica rendo meus respeitos - há muitos que  realmente honram o tal "juramento de Hipócrates". Dentre outros que respeito me lembrarei sempre com carinho de pessoas como Dr. Matheus - lá de Jequiriçá (interior baiano), e sua dedicação.

Mas temos, no meio médico, uma nova estirpe de profissionais que, infelizmente, dá pouco ou nenhum valor à vida humana e seus sofrimentos - pessoas incríveis, de roupas da moda, que edificam clínicas maaaaaravilhosas e caras, que passeiam de veículos importados ou motocicletas caríssimas e, nada obstante, ignoram que costuma ser o SOFRIMENTO humano que lhes dá vantagem para terem aquelas benesses. Ignoram que há pessoas dependentes delas. Se acham num Olimpo imaginário, de onde apenas toleram os outros mortais, que muitas vezes lhes acorrem em desespero.

PRECISAMOS de mais administradores como o Sr. Guerra. Gente que pergunte claramente: "o que você está fazendo, para merecer teu salário?" E isso em todas - TODAS - as instâncias da administração pública. Em suma, do Rio Grande do Sul nos vem um exemplo a ser seguido.

NÃO PRECISAMOS de quem desmerece o tempo, paciência e esperanças alheios. Imaginem, dentre aqueles sofredores - esperando por 15 minutos (muitas consultas públicas ficam nesse escasso prazo, acreditem) de atenção profissional - talvez alguém tenha viajado de longe, talvez horas, para o atendimento do "seu dotô"!!!!! Quem paga esse prejuízo, senhores do CREMERS?????

Ah, me poupem... fisiologismo tem hora. Safadeza também. Precisamos definir onde queremos ir com atitudes e procedimentos que desmerecem o restante da sociedade. COMO QUEREMOS UMA SOCIEDADE MELHOR, se nós mesmos a conspurcamos?

Vou além... como, senhores e senhoras, poderemos jamais exigir respeito (que não se cobra, é conquistado!) se não respeitamos outrem*?

*por outrem traduza-se o patrão, ou as pessoas que servimos diuturnamente...



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